ESTER MENDES

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é caracterizado por desatenção, hiperatividade e impulsividade, associadas a dificuldades de coordenação motora e esquema corporal, que é a representação do próprio corpo e da relação deste com o espaço. De acordo com a Sociedade Brasileira de Déficit de Atenção, o TDAH “… é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida.” Os sintomas mais comuns são distração, esquecimento e dificuldade para manter atenção em atividades muito longas e/ou repetitivas. As crianças com TDAH ficam mais tranquilas somente quando realizam atividades que despertem sensação de prazer e de alegria, uma vez que o cérebro interpreta essas situações como estímulos positivos, equilibrando os níveis de atenção.

A natação tem sido uma das atividades mais recomendadas para crianças com TDAH, por diferentes motivos: liberação de tensões, gasto energético, estímulo à coordenação motora e equilíbrio. Recentemente, noticiou-se que o campeão olímpico Michael Phelps foi diagnosticado com TDAH na infância e que os sintomas foram superados com as rotinas de treinamento. Com o objetivo de oferecer experiências de aprendizagem em natação para crianças diagnosticadas com TDAH, pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo desenvolveram um projeto no qual foram oferecidas 38 aulas, organizadas em 4 etapas. O relato de experiência da primeira etapa, denominada de adaptação, que contemplava 5 itens, com dois critérios finais de avaliação para cada item (Figura 1) foi publicado no número 5 da Revista Guará.

Desenvolvimento do projeto: Participantes: 08 crianças de 7 a 9 anos de idade: 04 crianças com desenvolvimento neuropsicomotor normal; 04 crianças com diagnóstico interdisciplinar de TDAH, sendo: 01 criança com diagnóstico de déficit de atenção, 01 criança com diagnóstico de hiperatividade/impulsividade e 02 crianças com diagnóstico do tipo combinado. Nenhuma das crianças sabia nadar.

Estratégias específicas para o TDAH: Explicações do professor: curtas, breves com, no máximo, duas instruções. Exemplo: pegue a prancha e bata as pernas; fique em pé na borda e pule e etc. “Instruções prolongadas causavam dispersão gerando desorganização no contexto da aula.”

 

 

Resultados mais destacados da intervenção: Nenhum dos alunos apresentou dificuldade para realizar os exercícios da etapa “adaptação”. Na sétima aula, 6 dos 8 alunos já conseguiam manter-se em apneia. Duas aulas depois, todos os alunos foram capazes de se manter em apneia e demonstravam-se felizes em pegar objetos no fundo da piscina, demonstrando que não houve diferença de comportamento relacionado à aprendizagem das habilidades básicas do nadar entre as crianças com desenvolvimento normal e aquelas com diagnóstico de TDAH.

Leia o artigo científico na íntegra: DAMASCENO, L. G.; QUEIROZ, S.S. Experiências de Aprendizagem em Natação para Crianças com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Aspectos Didáticos e Pedagógicos. Revista Guará, n.5, 2016. Link: http://periodicos.ufes.br/guara/article/view/14348 Saiba mais sobre TDAH: Associação Brasileira de Déficit de Atenção – http://redebrasileiradotdah.net.br/

 

Conheça a Metodologia

 

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *