A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica de causa multifatorial, que pode provocar lesões em órgãos vitais como o coração, o cérebro, rins e vasos sanguíneos, além de aumentar o risco para eventos cardiovasculares fatais e não-fatais.

É caracterizada pela elevação sustentada da pressão arterial acima de 140/90 mmHg (os níveis são considerados normais quando igual ou menor do que 120 mmHg para a sistólica – PAS e igual ou menor a 80 mmHg para a diastólica – PAD).

Em 2003, a diretriz americana de hipertensão arterial, que também é utilizada aqui no Brasil, definiu o termo “Pré-Hipertensão” para caracterizar a elevação da pressão arterial entre 121 e 139 mmHg para a PAS e entre 81 e 89 mmHg para a PAD. De acordo com essa mesma diretriz, indivíduos pré hipertensos e com idade entre 40 e 49 anos têm 80% mais chances de desenvolver hipertensão arterial nos dez anos seguintes.

O tratamento da HAS inclui o uso de medicamentos, mudanças nos hábitos alimentares e também a inclusão de exercício físico na rotina de vida.

Existem muitos estudos demonstrando os efeitos do exercício aeróbico sobre o controle da hipertensão, mas poucas pesquisas verificaram o efeito da natação sobre a diminuição dos níveis pressóricos.

Um estudo que envolveu pesquisadores do Rio de Janeiro e de Portugal e publicado em junho de 2015 na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, investigou o efeito de um programa regular de natação sobre a pressão arterial de homens pré-hipertensos que não tivessem nenhuma outra doença que pudesse impedir a prática da natação ou interferir na aplicação do protocolo de exercícios.

Os trinta e seis voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: Experimental (participou de um programa regular de natação) – GE (24 indivíduos, com idade média de 40,60 anos e desvio padrão de 9,36) e Controle (não praticou nenhuma atividade física no período) – GC (12 indivíduos, com idade média de 40,57 e desvio padrão de 8,05).

O programa era realizado durante 3 meses, em três sessões semanais em piscina aquecida (água entre 270 e 290 ), com duração de 40 a 45 minutos, divididos em: 5 minutos de alongamento e aquecimento, 30 a 35 minutos de natação e mais 5 minutos de relaxamento no final da sessão. Para participar do estudo, não era necessário saber nadar.

Nas sessões iniciais intensidade do exercício foi mantida entre 40% e 50% da frequência cardíaca máxima, mensurada através de um monitor de frequência cardíaca. Durante aproximadamente 20% do tempo de aula foram realizados exercícios de pernada com o auxílio de uma prancha.

Após 12 semanas, o grupo que praticou natação apresentou uma redução significativa da pressão arterial (redução de 5,89 mmHg para PAS e 5,15 para a PAD). De acordo com estudos anteriores, uma redução de 3 mmHg já seria suficiente para reduzir entre 5% e 9% o risco cardiovascular e entre 8 e 14% o risco de infarto do miocárdio.

Apesar de o exercício não ter promovido redução do peso corporal (provavelmente em razão da intensidade), a magnitude da redução da PA encontrada nesses indivíduos é de grande importância na prevenção da evolução do quadro de pré-hipertensão para hipertensão arterial e de suas complicações.

O fato de não ter havido controle sobre a alimentação dos participantes é apontado pelos autores da pesquisa como um fator limitante. Porém, é importante destacar que houve redução da PA em decorrência do programa de natação, apesar do peso corporal dos participantes ter sido mantido, mostrando que a prática regular da natação foi eficaz para reduzir a pressão arterial de homens pré-hipertensos.

Acesse o artigo de referência na íntegra: SILVA, J. E.; TEIXEIRA, A. M. B.; DANTAS, E. H. M.; RAMA, L. M. P. L. Comportamento da pressão arterial em homens pré-hipertensos participantes em um programa regular de natação. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. V. 21, n. 3, Mai/Jun 2015, p. 178 – 181. 

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