O afogamento é um evento que normalmente envolve mais de um fator e por isso, existem muitas causas e muitas formas diferentes de prevenção.

Saber nadar aparece entre as formas mais conhecidas para a prevenção de afogamentos.

Mas será que isso oferece 100% de garantia? De acordo com a International Lifesaving Federation (ILS), as aulas de natação podem ajudar, mas é necessário que haja também um programa de educação para a segurança aquática, que envolve as habilidades de natação (também chamadas de habilidades aquáticas) e a competência aquática, que é definida como “a soma de todos os movimentos aquáticos que podem ajudar a prevenir o afogamento.

Além disso, a entidade recomenda que os programas de natação façam a associação entre conhecimentos, atitudes e comportamentos que facilitam a segurança na água ou ao redor dela” (Moran, 2013, p. 4).

Abaixo, você confere a lista completa das 15 competências aquáticas:

1. Entrada na água; Movimentar-se próximo da superfície
2. Controle respiratório
3. Flutuação; Caminhar na água (rasa)
4. Orientação corporal na água: a) Rolar da posição ventral para dorsal / dorsal para ventral; b) Virar para a esquerda e para a direita, na posição ventral e na dorsal
5. Competências propulsivas: a) nadar de frente ou de lado; b) nadar de costas
6. Nadar submerso perto da superfície e Nadar submerso
7. Competência para sair da água com segurança
8. Uso de equipamento individual de flutuação (colete)
9. Nadar usando roupas
10. Competência para nadar em águas abertas
11. Competência para reconhecimento de perigos locais
12. Competência de risco: consciência, avaliação e evitação
13. Ser capaz de avaliar a própria competência
14. Competências de resgate: a)reconhecer uma pessoa se afogando; b) ajudar um afogado com segurança
15. Ter atitudes e valores condizentes com a segurança aquática

Evidências científicas
Um estudo realizado em uma região rural da China mostrou que instruções de natação promoveram um efeito protetor contra o afogamento em crianças entre 1 e 4 anos.  Outro estudo, realizado nos EUA, encontrou associação positiva entre aulas de natação e diminuição do risco de afogamento em crianças com menos de 5 anos. Junge, Blixt, & Stallman (2010) recrutaram 70 crianças que se declararam “nadadores”. Essas crianças foram capazes de nadar 25 metros sem parar. Porém, quando os pesquisadores pediram para que essas crianças entrassem na parte funda da piscina saltando ou mergulhando, 25% delas foram incapazes de ao menos tentar realizar essa tarefa. Dentre as crianças que tentaram e não conseguiram, 26% relataram desconforto em retornar à superfície, voltar a respirar e orientar-se.

Com base nas evidências científicas disponíveis, recomenda-se que as aulas de natação contenham:

1 – Mudanças de posição corporal e mudanças de direção;
2 – Competências aquáticas incorporadas de forma criativa em jogos e atividades lúdicas;
3 – Quando possível, a prática de todas as competências também em águas abertas;
4 – Quando possível, atividades com competências de orientação em situações estressantes como água turbulenta ou águas abertas.

Para saber mais:

Stallman, Robert Keig; Moran, Kevin Dr; Quan, Linda; and Langendorfer, Stephen (2017) “From Swimming Skill to Water Competence: Towards a More Inclusive Drowning Prevention Future,” International Journal of Aquatic Research and Education: Vol. 10 : No. 2 , Article 3.

Stephen Langendorfer  foi palestrante no Encontro Internacional de Natação – CLIQUE AQUI E SAIBA TUDO SOBRE O EVENTO

Quer saber como a MGB trabalha a competência aquática nas aulas de natação?

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