O afogamento é um evento que normalmente envolve mais de um fator e por isso, existem muitas causas e muitas formas diferentes de prevenção. Saber nadar aparece entre as formas mais conhecidas para a prevenção de afogamentos. Mas será que isso oferece 100% de garantia?

Natação atuando na prevenção de afogamentos

De acordo com a International Lifesaving Federation (ILS), as aulas de natação podem ajudar, mas é necessário um programa de educação para a segurança aquática, que envolve as habilidades de natação (também chamadas de habilidades aquáticas) e a competência aquática, definida como “a soma de todos os movimentos aquáticos que podem ajudar a prevenir o afogamento”.

Além disso, a entidade recomenda que os programas de natação façam a associação entre conhecimentos, atitudes e comportamentos que facilitam a segurança na água ou ao redor dela” (Moran, 2013, p. 4).

Evidências científicas

Um estudo realizado em uma região rural da China mostrou que instruções de natação promoveram um efeito protetor contra o afogamento em crianças entre 1 e 4 anos. Outro estudo, realizado nos EUA, encontrou associação positiva entre aulas de natação e diminuição do risco de afogamento em crianças com menos de 5 anos.

Junge, Blixt, & Stallman (2010) recrutaram 70 crianças que se declararam “nadadores” e que foram capazes de nadar 25 metros sem parar. Porém, quando os pesquisadores pediram para que essas crianças entrassem na parte funda da piscina, saltando ou mergulhando, 25% delas foram incapazes de ao menos tentar realizar essa tarefa. Dentre as crianças que tentaram e não conseguiram, 26% relataram desconforto em retornar à superfície, voltar a respirar e orientar-se.

Recomendações

Baseado nas evidências científicas, recomenda-se que as aulas de natação contemplem:

  • mudanças de posição corporal e mudanças de direção;
  • competências aquáticas incorporadas de forma criativa em jogos e atividades lúdicas;
  • quando possível, a prática de todas as competências também em águas abertas;
  • quando possível, atividades com competências de orientação em situações estressantes, como água turbulenta ou águas abertas.

Lista completa com as 15 competências aquáticas:

  1. Entrada na água, movimentar-se próximo da superfície;
  2. Controle respiratório;
  3. Flutuação, caminhar na água (rasa);
  4. Orientação corporal na água: rolar da posição ventral para dorsal/dorsal para ventral e virar para a esquerda e para a direita, na posição ventral e na dorsal;
  5. Competências propulsivas: nadar de frente ou de lado e de costas;
  6. Nadar submerso perto da superfície e submerso;
  7. Competência para sair da água com segurança;
  8. Uso de equipamento individual de flutuação (colete);
  9. Nadar usando roupas;
  10. Competência para nadar em águas abertas;
  11. Competência para reconhecimento de perigos locais;
  12. Competência de risco: consciência, avaliação e evitação;
  13. Ser capaz de avaliar a própria competência;
  14. Competências de resgate: reconhecer uma pessoa se afogando e ajudar com segurança;
  15. Ter atitudes e valores condizentes com a segurança aquática.

 

Para saber mais:

International Journal of Aquatic Research and Education: Vol. 10 : No. 2 , Artigo 3: “Da habilidade da natação à competência em água: para uma prevenção mais inclusiva de afogamentos futuros.”

 

Stephen Langendorfer, palestrante no Encontro Internacional de Natação.

 

Quer saber como a MGB trabalha a competência aquática nas aulas de natação?

Conheça a Metodologia

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