ESTER MENDES

O treinamento desportivo baseia-se em alguns princípios fisiológicos importantes: adaptação, relacionado aos ganhos obtidos; sobrecarga, relacionado à necessidade de se aumentar progressivamente e periodicamente a intensidade do treinamento; especificidade, que explica o fato de que os ganhos obtidos através do treinamento de uma determinada capacidade física não são transferidos para outra; individualidade, que vale tanto para as diferenças individuais quanto às diferenças entre modalidades nas respostas ao treinamento; reversibilidade, que se refere ao fato de que os efeitos do treinamento duram somente enquanto nos mantemos treinando. A interrupção do treinamento recebe o nome de “destreinamento” e de acordo com Maglischo (2010) em um período que varia entre uma e duas semanas depois de parar de nadar, reduções significativas das adaptações fisiológicas já são sentidas.

A velocidade de declínio será mais lenta se o volume de treinamento (o quanto você treina em uma semana) for reduzido em um terço ou, no máximo, a metade. Porém, a intensidade deve ser mantida para evitar perdas mais aceleradas. McCardle, Katch e Katch (1996, apud Maglischo, 2010), encontraram perdas entre 7% a 10% em atletas que interromperam o treinamento por 3 semanas. As capacidades físicas avaliadas foram a resistência aeróbica (redução de 25% a 30% da capacidade) e velocidade (8% a 12% de perda). Naquele estudo, quanto mais longo o período de interrupção do treinamento, maiores foram as perdas: após 4 a 12 semanas sem treinar, as perdas nas adaptações aeróbicas ficaram entre 15% e 20%; as perdas anaeróbicas, entre 18% e 50%.

O desempenho nas séries de resistência caiu até 40% e nas de velocidade, entre 14% e 30%. E o retorno ao desempenho anterior? O tempo de recuperação do desempenho foi avaliado por Hsu e Hsu, 1999 (apud Maglischo, 2010) em um grupo de nadadores universitários que interromperam seu treinamento por 85 dias. Depois de 91 dias treinando novamente, os nadadores de 400m conseguiram retornar aos níveis de treinamento anteriores ao período sem treino. Porém, os nadadores de 50m, que não conseguiram igualar seus tempos aos anteriores, indicando que a potência de nado é uma capacidade mais difícil de recuperar em comparação com a resistência de nado.

O que fazer? Nadadores competitivos normalmente tiram folgas de uma a duas semanas após o término de algumas temporadas. Porém, durante esse período de “folga”, o treinamento não é completamente interrompido; a frequência semanal (número de treinos) e volume total de treino (metragem) são reduzidos mas a intensidade é mantida. Esse modelo deve ser seguido também pelas pessoas que nadam apenas para condicionamento físico. Então, se você precisa interromper suas aulas durante as férias, procure nadar em outro local, mesmo que seja por menos tempo, mantendo a intensidade o mais próxima possível daquela que você usa nas suas aulas. Para saber mais: MAGLISCHO, E. W. Nadando ainda mais rápido. 3ª. ed. São Paulo: Manole, 2010.

 

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