Em Novembro de 2018, 4 crianças se afogaram na represa de Guarapiranga (São Paulo) e 3 delas, com idades entre 11 e 13 anos, morreram . Nenhuma delas usava colete salva-vidas. Nenhuma delas estava acompanhada de perto por um adulto. Nenhuma delas sabia nadar. Todas elas estavam brincando no raso.

Aprendemos a nadar em um ambiente fechado e previsível, mas os afogamentos geralmente ocorrem em um ambiente aberto e imprevisível.
Ao menos três fatores contribuíram para essa fatalidade:

1. Ausência de um adulto responsável:

As recomendações internacionais, amplamente divulgadas no Brasil pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) incluem a orientação para manter as crianças a um braço de distância.

2. Desconhecimento do ambiente:

Represas possuem correntezas e em dias com muito vento, como era o caso no dia dos incidentes, a correnteza se torna mais forte e mais perigosa. Uma das causas de afogamento, inclusive entre pessoas que sabem nadar, é o desconhecimento do ambiente ou a falta de habilidade para lidar com as condições de nado em águas abertas. Na maioria das vezes, as pessoas aprendem a nadar em piscinas, onde o ambiente é controlado e previsível e por esse motivo, não são capazes de enfrentar as demandas de um ambiente imprevisível, como é o caso de lagos, represas e o oceano.

3. Ausência de colete salva-vidas:

Essa é uma recomendação que serve para pessoas de todas as idades, mas que pouca gente segue. Uma pessoa, mesmo que nade muito bem, quando arrastada por uma correnteza forte não terá muitas chances de sobreviver ao afogamento se estiver sem colete salva-vidas. Quando se trata de crianças, o risco aumenta, uma vez que a capacidade de tomada de decisão em situações adversas é extremamente baixa em crianças menores de 12 anos.
Infelizmente, não se pode remediar um afogamento depois que ele já ocorreu.
Então, o que podemos fazer para evitar que ocorram outros?

Siga sempre as dicas básicas de segurança aquática:

– Mantenha as crianças a um braço de distância de um adulto.
– Fique de olho na sua criança 100% do tempo em que estiver na água.
– Crie áreas de isolamento e proteção nas piscinas de condomínios, residências, chácaras, etc. Um portão que a criança não seja capaz de abrir sozinha, evita que ela entre no ambiente sem ser vista e assim, evita que ela caia na água ou entre sem ter habilidade para sobreviver.
– Em rios e praias, use sempre colete salva-vidas, pois a profundidade pode mudar rapidamente e pode existir correnteza.
– Em praias, nunca entre em local sinalizado com bandeira vermelha e nem em costões próximos às pedras.
– Para ajudar alguém que está se afogando, não se aproxime da pessoa. Jogue um objeto flutuante e peça ajuda ao guarda-vidas.

E se você é professor de natação ou proprietário de academia, saiba que suas aulas precisam contemplar atividades de segurança e sobrevivência aquática. [Veja aqui 15 competências aquáticas básicas]

Ensinar as habilidades básicas de sobrevivência, incluir atividades de nado utilizando roupas e sapatos, deixar de usar os óculos de natação algumas vezes, são atitudes que fazem parte de um programa com direcionamento para a prevenção de afogamentos. A rede de licenciados da Metodologia Gustavo Borges inclui essas atividades regularmente nas aulas. Você pode conhecer um pouco mais sobre a nossa forma de trabalho clicando aqui.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *